Tratamento

Quais as possíveis consequências da PP (Plagiocefalia Posicional)?

Nas PP leves, muitas vezes o ensino dos posicionamentos resolve a assimetria, mas é importante referir que a PP não é apenas um problema estético e que até as PP aparentemente resolvidas, devem ser avaliadas por um osteopata para certificar que foi restabelecida a boa mobilidade craniana, coluna vertebral, pélvis e extremidades inferiores.

A assimetria craniana pode alterar o posicionamento dos olhos, orelhas e mandíbula à medida  que a criança cresce, podendo predispor para uma má oclusão dentária, disfunções da ATM (articulação da mandíbula com o osso craniano temporal), tal como pode facilitar o aparecimento de atitudes escolióticas durante o crescimento devido à alteração do occipital, estruturas torácicas e pélvicas, tal como demonstra a figura.

 

 

 

 

 

 

 

 

É importante perceber que entre alguns ossos do crânio passam estruturas importantes nervosas e vasculares necessárias para o bom desenvolvimento da criança, nomeadamente os nervos cranianos que comandam o movimento dos olhos, os nervos que comandam diversos músculos da cervical e mandíbula, os nervos que comandam os músculos da deglutição, sucção e alguns necessários para a fala.

Deste modo o tratamento osteopático não tem apenas a preocupação estética, que tendo a sua relevância não será o mais importante no desenvolvimento do bebé. O tratamento não se restringe ao crânio, mas estende-se para a coluna vertebral, pélvis e extremidades inferiores que contribuem para as sequelas que atingem todo o corpo. A actuação atempada da osteopatia ajuda a manter a mobilidade e normalização das tensões de todo o corpo envolvido na PP, necessária para evitar compressões nervosas e desequilíbrios articulares e musculares que facilitarão alterações músculo-esqueléticas durante o crescimento. 

Podemos medir a plagiocefalia com um craniómetro ou com estudo fotográfico das linhas oblíquas do occipital ao frontal. Consoante o grau de assimetria poderemos classificar em Plagiocefalia leve, moderada ou grave. O tratamento irá depender da sua severidade.

 

Osteopatia Pediátrica no tratamento da plagiocefalia

 

A Osteopatia Infantil utiliza técnicas manuais muito suaves, sem aplicação de força. Há uma avaliação inicial: a anamnese e a classificação da gravidade da plagiocefalia. Após a qual se avaliam-se as tensões anormais que possam contribuir para a manutenção da deformidade dos ossos do crânio.

A abordagem osteopática nestes casos tem como objectivo: normalizar o tónus da musculatura afectada; flexibilizar as suturas comprimidas ou sobrepostas; trabalhar as zonas planas e as salientes, normalizar o movimento craniano do bebé e aconselhar os pais no que respeita ao posicionamento e ensino de exercícios para casa.

Durante o tratamento o osteopata adapta-se ao bebé, podendo realizar técnicas na marquesa, com o bebé acordado ou a dormir, no seu colo ou no colo dos pais. Durante o tratamento os pais podem participar e até aprender algumas técnicas simples de modo a poderem contribuir para a evolução positiva do seu bebé em casa.

 

 

Caso a plagiocefalia esteja associada a torcicolo,ou caso o bébé mantenha a preferência de rodar a cabeça sempre para o mesmo lado, pode executar alongamentos simples que evitarão um encurtamento muscular. Deste modo ajudará a atenuar ou a prevenir uma alteração muscular que será, por si só, um factor de agravamento da plagiocefalia.

 

 

Alongamentos para torcicolo

Se a causa da Plagiocefalia for um torcicolo devem ser realizados os exercícios que se seguem, de estiramento, de cada vez que mudar a fralda. Realize-os sem medo, mas sem forçar excessivamente o bebé.

 

No primeiro exercício, com uma mão sobre o peito, faça girar a cabeça do bebé até que o queixo toque no ombro. Mantenha a posição durante 10 segundos e repita em ambos os lados.

No segundo exercício, com uma mão sobre o ombro, faça girar a cabeça do bebé até que a orelha toque no ombro. Mantenha a posição durante 10 segundos e repita em ambos os lados.

 

Em casos moderados a graves deverá ser ponderada a colocação do capacete correctivo, prática pouco comum em Portugal, mas frequente em outros países. Existem estudos que apoiam a colocação de capacete em casos severos, mas outros provam que não acrescenta valor a longo prazo... cabe aos profissionais de saúde ponderarem e informarem os pais das opções. A “técnica do esperar para ver se corrige” não faz sentido hoje em dia, uma vez que existe imensa informação à nossa disposição e um conhecimento cada vez mais alargado das consequências destas disfunções. Uma abordagem precoce terá sempre resultados mais rápidos com consequente menor número de sessões.

 

 

 

O ideal será sempre um trabalho em equipa, ou seja, a comunicação do osteopata com os profissionais de saúde envolvidos, nomeadamente o pediatra, o fisioterapeuta ou o ortopedista pediátrico.

 

Conselhos e estratégias para os pais 

 

Se o seu filho exibe sinais de plagiocefalia, levá-lo a um profissional devidamente qualificado para avaliação, intervenção precoce e correcção de problemas estruturais e funcionais são estratégias importantes na assistência a essas crianças de modo a poderem atingir o seu pleno potencial.

 

1. As adaptações da osteopatia para as suturas cranianas e côndilos occipitais (onde o crânio se une ao pescoço) são um começo para ajudar a eliminar o stress e torsão no sistema nervoso. A quantidade de pressão usada para ajustar um recém-nascido é a quantidade de pressão que você usaria no seu globo ocular, sem causar dor.

 

2. Tummy Time. Os bebés devem passar tempo de barriga para baixo, vigiados. Isso pode ajudar a estimular os músculos do pescoço superiores que activam os nervos para as áreas de equilíbrio do cérebro (cerebelo), o que contribui com a coordenação motora e desenvolvimento cognitivo. Tente dar tempo de barriga activo, pelo menos, 3 vezes por dia e começar a partir do nascimento. Uma boa altura é durante a troca de roupa ou na barriga pais. Tempo de barriga para baixo é importante nem que seja por apenas 30 segundos.

 

3. Integração Vestibular. Isto envolve colocar o rosto do bebé para baixo numa bola de pilates/fisioterapia ou numa grande bola de praia e balançando suavemente o bebé para a frente e para trás. Para além da integração vestibular, estimula os músculos posturais da coluna vertebral. 

 

4. Posicionamento. Durante o dia, tente colocar o bebé em diferentes posições de modo a não pousarem a cabeça onde apresentam a cabeça plana.

 

5. Reduzir a quantidade de tempo que o lactente gasta em assentos de veículos, transportadores, oscilações ou qualquer outro dispositivo que permite que a criança descanse na parte de trás da cabeça.

 

6. Modificar a posição de dormir. Algumas maneiras de reposicionar: 

Colocar a cabeça da criança em extremos opostos do berço em noites alternadas 

Rearranjo dos móveis no berçário do bebé, mudando deste modo a zona de onde vêm as fontes de luz obrigando-os a mover a cabeça em diferentes direcções 

Depois que o bebé está a dormir, mover a cabeça para o lado não preferido (longe do lado achatado). 

Pode utilizar almofadas próprias para aliviar a pressão na região posterior da cabeça, evitando que rode a cabeça sempre para o mesmo lado. Existem diversas marcas com diversos tamanhos para melhor adaptar ao bébé.

 

7. Alimentação. Alterne o braço em que a criança é mantida tanto para biberão como para a amamentação.

 

8. Viagem. Se a viagem longa é necessária, toalhas podem ser enroladas para ajudar a posicionar a cabeça de um lado ou do outro para ajudar a reduzir a pressão sobre o lado achatado. Além disso, mantenha o assento de carro que incentiva o bebé a virar a cabeça para a janela e longe do lado achatado.

 

9. Capacetes. Trata-se de intervenções médicas que ajudam a remodelar o crânio para a forma perfeita, muito importantes em deformações acentuadas, em conjunto com a osteopatia, de modo a minimizar as assimetrias cranianas e faciais. Estes são eficazes para melhorar a forma do crânio, mas não actuam na correção funcional e desenvolvimento neuropsicomotor da criança.