Plagiocefalia

 

Definição

 

Plagiocefalia  é o aplanamento do osso occipital e parietal, uni ou bilateral. Como consequência da aplicação constante de forças de pressão, dependendo de uma determinada posição mantida, sobre a região posterior do crânio "forma-se esta deformidade" craniana. Por este motivo designa-se frequentemente  por Plagiocefalia Posicional (PP). 

 

A PP é frequente e deve ser realizado o diagnóstico diferencial com a plagiocefalia posterior verdadeira ou plagiocefalia sinostótica - uma sinostose (união/fusão) da sutura lambdoideia unilateral por encerramento precoce desta sutura entre o occipital e o parietal, esta é rara (3/100.000 bebés).

 

 

 

Existem diversas deformidades cranianas:
 

 

 
  • Plagiocefalia
  • Braquicefalia
  • Escafocefalia
  • Trigonocefalia
  • Oxicefalia
 

 

 

 

 

 

 
 

Sendo a deformidade craniana mais comum, a Plagiocefalia Posicional ou Plagiocefalia não-sinostótica normalmente caracteriza-se por:

 

 
  • Aplanamento da região posterior da cabeça, de um lado, podendo apresentar alopecia homolateral (falta de cabelo na região aplanada)
  • Do mesmo lado do aplanamento posterior, a testa/osso frontal está mais saliente podendo apresentar órbitas oculares com tamanhos diferentes
  • A orelha do mesmo lado pode estar mais para a frente 
 

 

 

 

 

Plagiocefalia Sinostótica

A PP é frequente e deve ser realizado o diagnóstico diferencial com outro tipo de plagiocefalia, a Plagiocefalia Sinostótica (ver imagem ao lado) que pode ter indicação cirúrgica e se caracteriza por um fecho precoce da sutura entre o occipital e o parietal (sutura lambdoideia), esta fusão precoce é rara (3/100.000 bebés) e o crânio apresentará uma deformidade oblíqua também, mas com o crescimento da cabeça do bebé deforma-se de modo ligeiramente diferente à volta dessa sutura, que está impossibilitada de expandir simetricamente.

 

 

 

A PP é desencadeada por forças mecânicas extrínsecas. Estas forças podem estar presentes no utero (condicionando molde), durante o nascimento ou pós-natais (de ordem postural) e ocorrem devido à plasticidade do crânio no recém-nascido e pequeno lactente.

 

 

Fisiopatologia da moldagem do crânio, tórax (e até a bacia) no pequeno lactente

 

 

 

Em que fase pode ser diagnosticada e quais os métodos de diagnóstico utilizados?

 

Pode ser diagnosticada logo após o parto, se for uma plagiocefalia derivada da posição intra-uterina, resultado de um parto complicado ou uma Plagiocefalia Sinostótica (esta é rara). Para diferenciar a PP da plagiocefalia sinostótica pode ser necessário recorrer a exames complementares de diagnóstico, tais como radiografias ou TC-3D.

O diagnóstico deve ser realizado o mais cedo possível pelo médico pediatra e recomendar as medidas necessárias para prevenir e corrigir, seja o ensino do posicionamento ou o encaminhamento para a osteopatia ou neurocirurgia.

 

 

Quais os principais factores e grupos de risco associados ao seu aparecimento?

 

 

Atrasos no desenvolvimento

Bebés  prematuros

Bebés que nascem com torcicolos - apenas viram bem a cabeça para um dos lados. Podem manter a cabeça inclinada para um dos lados, alterando a horizontalização do olhar

 

Bebés que “dão a volta” muito cedo e ficam muitas semanas com a cabeça encaixada na pélvis da mãe

Partos complicados com fórceps ou ventosas

Tempo prolongado deitado nos “ovos”, alcofas ou carrinhos de passeio

 Restrição do espaço intra-uterino por:

                  Gravidez de gémeos

                  Má posição intra-uterina

                  Macrossomia

          Macrocefalia

                  Pélvis maternas pequenas

                  Miomas uterinos

 

 

A prevalência actual da PP depende da idade do lactente?

 

A prevalência de PP em lactentes aumentou nas últimas duas décadas, devido em grande parte à recomendação da Academia Americana de Pediatria (1992) para deitar os lactentes em decúbito dorsal (barriga para cima), de modo a prevenir a síndrome da morte súbita.

Na maioria dos casos manifesta-se nos primeiros meses, com uma prevalência de 16-22% nas 6-7 semanas de vida e de 19,7% aos 4 meses. A melhoria da PP inicia-se por volta dos 6 meses e habitualmente, pelos 2 anos de idade, a sua prevalência é significativamente inferior (3,3%).

Estes dados epidemiológicos consideram apenas se a forma do crânio diminuiu a sua assimetria, não consideram se a mobilidade craniana normal foi restabelecida e não correlacionam as possíveis sequelas a longo prazo que possam estar associadas a uma PP, sequelas essas descritas mais à frente, aparentemente resolvida. Apenas a realização de estudos prospectivos poderão comprovar que as PP ficaram resolvidas funcionalmente, não apenas esteticamente.

 

A Plagiocefalia é mais frequente no sexo masculino, devendo-se ao facto de habitualmente o perímetro cefálico à nascença ser maior no sexo masculino, predispondo a maior deformação, e também ao seu crescimento mais rápido nos primeiros 3 meses de vida, existindo uma maior pressão sobre o crânio.